24.1.12

Rui Beat Velez - RIP


Rui Rodrigues, António Manuel Ribeiro, Paulo Inácio e Rui Beat Velez.


Guardo no meu museu de memórias o concerto dos UHF na Feira Popular em 1989 com Luis Espírito Santo Martins e Rui "Beat" Velez. Nesse espectáculo ainda se juntou o Renato Gomes como convidado especial. Foi um dos melhores concertos a que assisti - gravado e posteriormente transmitido pela RFM - com uma quebra na electricidade a meio da canção "Hesitar". Rui "Beat" Velez e Luís Espírito Santo continuaram a tocar enquanto o público cantou o refrão até ao regresso da electricidade.
Que descanse em paz!

Alguns grupos a que pertenceu Rui "Beat" Velez:
Banda do Sul, UHF, Junção e Ravel.


A HOMENAGEM DE ANTÓNIO MANUEL RIBEIRO:

"Conheci o Rui em 1983, uma mola dinâmica por trás da bateria de uma banda que foi a concurso no Rock Rendez-Vous – a Banda do Sul. Vi-os enquanto membro do júri; não seguiram até à final.
Gostei do grupo, aproximei-me deles através da minha namorada dessa altura, colega do liceu. Havia entusiasmo, os sonhos fluíam; a baía de Cascais ainda não produzira os Delfins e já uma espécie de pop/funk enchia uma garagem de Oeiras.
O Rui, de quem me tornei amigo, acabou naturalmente por entrar nos UHF em 1985. Fizemos uma longa digressão entre o final desse ano e meados de 1987, quando saiu do grupo.
Acabaria por regressar em 1989 para a digressão do maxi “Hesitar”, juntando-se ao Pedro de Faro, o baixista fundador da Banda do Sul, que também ingressara nos UHF. Essa foi uma das digressões mais felizes da minha carreira, que reuniu em palco dois bateristas – o Luís Espírito Santo e o Rui ‘beat’ Velez (o ‘beat’ foi baptismo meu).
Dizem os que me conhecem que tenho memória de elefante, e é verdade. Os dias desta carreira parecem-me as páginas de um livro que o tempo mantém disponíveis para folhear. Não sou de lamúrias nem de saudosismos, mas recordo com toda a vivacidade quando o Rui se sentava no lugar a meu lado no carro que eu próprio conduzia, um veloz Ford RS Turbo branco, e seguíamos a cantar as canções que previamente alinhara numa cassete: nesse início de 1989 delirávamos com “Orange Crush” dos R.E.M.
Mais tarde nesse ano, o Rui e o Pedro formaram a Junção, reagrupando o núcleo duro da Banda do Sul e convidaram-me para emprestar a minha voz num dos temas do único LP que gravaram.
O meu amigo partiu no último domingo. É um lugar comum dizer-se que não estávamos à espera da notícia; mas é verdade que não estava. Um dia destes, como ele me disse há uns tempos, haveríamos de tentar outra vez.
Dele guardamos dois magníficos registos que o qualificam como ‘beat’, a mola, um homem em simbiose com as peles e os pratos de uma bateria: “Até às Tantas” (1986), por encomenda do programa “1, 2, 3”, da RTP, mais tarde editado no primeiro volume das Raridades dos UHF (2007) e “Esta Mentira à Solta” do maxi “Hesitar” (1989). Em ambas as canções juntei dois monstros musicais deste país: Renato Gomes e Rui ‘beat’ Velez.
Por um artista que parte soltemos aplausos de agradecimento.

António Manuel Ribeiro"



Um abraço de obrigado ao Paulo Inácio por me ter enviado esta fotografia que pertence ao seu arquivo pessoal.

2 comentários:

Anónimo disse...

Olá! Eu sou a sobrinha do Rui "beat" Velez e fico extremamente contente, por saber que há quem prese o trabalho dele, obrigado.

Anónimo disse...

Ola sobrinha do Rui Velez,um abraço ao teu pai Miguel do Manare